Tenho saudades, muitas. Tenho saudades de como as coisas eram e não são mais agora, simplesmente porque não fazes por isso. Podia, mas não, não falo de um namoro. Falo de uma amizade, uma das melhores, pois era o que de melhor tínhamos. Sempre pensei que fôssemos a excepção de todas as regras. A minha única certeza, provavelmente. Acreditei que estávamos bem mais que três metros acima do céu e bem menos que a um palmo um do outro. Mas, afinal, não somos assim tão diferentes de todos os outros, que mudam, que esquecem, que perdem, que desprezam, que ignoram, que afastam, que partem. Podemos já não ter o amor a rir para nós, mas juntos tínhamos um sorriso maior. E, embora possas estar, eu ainda não estou preparada para abdicar de tudo isso. De repente, parece que o meu amor se transformou na substituição de outro, que os meus simples gestos deixaram de ter significado, que as grandes tardes se tornaram o teu plano B, que as frases se converteram em palavras, que os beijos inocentes passaram a ameaças, que um abraço passou a envolver apenas duas pessoas e não sentimentos, que as mensagens de boa noite perderam o sentido e até que cada sorriso começou a ser apenas a contracção de alguns músculos da face. Afinal, parece que na vida nada é permanente, que os 'para sempre' são apenas mais códigos sociais e que os sonhos são meras utopias que gostamos de acreditar que são realidade. Sei que já não sou a tua número um, talvez nem seja a dois, nem a três. Mas deixa-me continuar a ser a tua menina. Não por favor, não por pena, não por arrependimento, não por peso na consciência, não por nada disso. Apenas porque sei, e tu também sabes, que não existe ninguém neste mundo melhor do que tu para tomar conta de mim.